O outro lado do SeaWorld…

Recentemente, fomos convidados para o primeiro encontro do SeaWorld Parks & Entertainment, no Brasil, em Belo Horizonte (muito bacana, já que nossa cidade está quase sempre fora desta rota de eventos turísticos). Como já fomos tanto no SeaWorld quanto no Busch Gardens, fomos lá conferir o que eles tinham para nos contar e, então, repassar a vocês.

A cada dia, os ativistas lideram campanhas contra todos os parques e zoológicos que detém animais em cativeiros, inclusive, o “documentário” Blackfish acusa diretamente o parque americano de maus tratos, tortura e critica o fato das Orcas viveram em cativeiro, argumentando que sua expectativa de vida torna-se reduzida e que as mesmas se tornam violentas. Infelizmente, existem muitas “propagandas negativas”e muita gente que acaba boicotando os parques, por desconhecerem toda a história.

Somos totalmente contra maus tratos de animais! Mas aplaudimos qualquer trabalho de resgate, amparo e restabelecimento de animais à natureza. É fácil levantar a bandeira contra maus tratos, mas difícil mesmo é retirar animais atingidos por derramamento de óleo no oceano, abrigar, limpar, tratar e devolver à natureza. É fácil questionar sobre o teste de maquiagens em animais, mas será que todo mundo que reprova deixa realmente de usá-las? Então, deixemos nossa hipocrisia de lado!

SeaWorld x Black Fish

O SeaWorld, há mais de 50 anos, é um parque de entretenimento líder em fornecimento de experiências pessoais, educacionais e interativas, que proporciona ao visitante um contato mágico com o mundo animal. Encontra-se localizado nas cidades de Orlando, San Diego e Santo Antynio. E nós, do Blog Viagens e Vivências, visitamos dois dos parques do complexo, o SeaWorld Orlando e o Busch Gardens, em Tampa.

Passamos um dia inteiro em cada um dos parques, SeaWorld e Busch Gardens, em 2010 e 2012 respectivamente, e não observamos nenhum tipo de maus tratos ou agressões aos animais. Ao contrário! Claro que tem todo o “show” por trás de cada atração, onde você se apaixona pelos animais, treinadores e show! Mas o que realmente se percebe e não se pode negar é o amor incondicional dos empregados do parque com todos os animais e a preocupação com o bem estar e cuidado de todos eles.

Atualmente, mais de 89% dos animais dos parques SeaWorld e Busch Gardens foram reproduzidos em cativeiros. O Blackfish, que nada tem de documentário, faz uma propaganda negativa que a maioria acredita que o Seaworld continua retirando animais da natureza. Ocorre que as Orcas foram capturadas há 40 anos do Estado de Washington, nos Estados Unidos, em uma época que as leis ambientais não eram tão rígidas como são hoje (lembrando que o SeaWorld obedece uma rígida política de enquadramento em diversas leis estaduais e federais, para proteção, bem-estar dos animais e outras regulamentações). Por outro lado, a sequência que se faz das filmagens, no Blackfish, faz o telespectador acreditar, também, que as orcas mães eram separadas dos filhotes, e que o SeaWorld continua retirando as baleias da natureza. Tudo passado de uma maneira inverídica, manipuladora e irreal.

O que as pessoas não sabem, de fato, é que as últimas orcas retiradas da natureza se deu há 35 anos, e hoje, nenhuma é retirada. O Parque investe na reprodução em cativeiro, através de especialistas extremamente capacitados e experientes com as Orcas. Ainda, sobre a questão da separação de filhotes da mãe, o SeaWorld somente realiza a separação quando há uma necessidade de manutenção da estrutura saudável da Orcas. Os dois filhotes que são mostrados no filme, que foram retirados das baleias Takara e Kalina possuíam 12 e 4 anos respectivamente. E o segundo, de 4 anos, somente foi separado para resguardar a saúde da mãe, uma vez que o filhote era extremamente agressivo com a mesma.

Os ex-funcionários que apresentaram declarações durante o Blackfish eram empregados que tiveram pouco acesso e experiências com as baleias, não possuindo, portando, nenhuma condição de participar de um suposto documentário. E ainda, alguns deles relataram depois do lançamento do filme que suas falas e informações fornecidas ao Blackfish foram colocadas fora do contexto. Portanto, o Blackfish transmitiu ideias falsas e enganosas aos que assistiram ao filme.

O Filme foca bastante, também, na questão da treinadora Dawn Brancheau, de experiência inigualável com as Orcas, que acabou falecendo em decorrência de um acidente, para transmitir a ideia de que Tilikum é uma baleia orca agressiva e psicótica por viver em cativeiro. Para quem não assistiu ao filme (nós assistimos!), ele começa com cena de uma treinadora nadando com uma Orca na piscina, em conjunto com o áudio da ligação de emergência no dia do acidente. Realmente, dá para acreditar que a cena foi gravada no dia e momento do acidente. Ocorre que desde que Tilikum chegou ao parque, nenhum treinador (nem Dawn Brancheau) tinha permissão para entrar na piscina em que ela estivesse. Então, a treinadora morta não estava nadando na piscina com Tilikum para executar algum show. Os treinadores que falaram do triste episódio da morte de Dawn, não estavam presentes durante o ocorrido. Logo, não tinham condições de relatar o fato, muito menos condições técnicas para qualquer suposição, por serem treinadores de pouca experiência.

Um detalhe que observamos durante o filme, foi o relato de duas amigas que alegam ter presenciado a morte de Keltie Byrne, em um parque que não tem nada a ver com o SeaWorld. A mulher que forneceu a maioria das informações, relata o ocorrido de uma maneira bem debochada, e está quase sempre sorrindo. Como acreditar em alguém que ri e debocha da morte de uma pessoa?

Sobre a questão das alegações e justificativas do SeaWorld sobre o Black Fish, acesse este link.

Leia mais sobre a polêmica do Black Fisch aqui, e para ler diversos questionamentos e respostas do Seaworld, veja neste link.

A Baleia Orca Granny (vovó)

Recentemente, uma notícia circulou na mídia sobre a Baleia Orca mais velha do mundo que foi vista nadando na Costa do Canadá. E assim, várias discussões surgiram sobre a expectativa de vida das Orcas que vivem na natureza, e as que vivem em cativeiro, especialmente no SeaWorld.

Estudos independentes informaram que as Baleias Orcas que vivem na natureza e as que vivem em cativeiro possuem a mesma expectativa de vida, ou seja, em torno de 50 anos. A Baleia Granny, que supostamente possui 102 anos, não tem qualquer estudo comprovado de que a mesma possui esta idade. Por outro lado, a Baleia Orky, do parque Seaworld, possui quase 50 anos, ou seja, está quase atingindo a idade da expectativa de vida das Orcas.

Leia este artigo e este.

SeaWorld Cares

A Companhia SeaWorld Cares realiza trabalhos de resgate, cuidado, conservação, pesquisa, educação e abrigo de animais órfãos e doentes. E ao longo de anos, já resgatou em torno de 26.000 animais em risco, devolvendo todos os que possuíam condições de viver na natureza e mantendo sobre seus cuidados apenas os que não tinham/tem condições de sobreviverem em liberdade.

Recentemente, em um vasto derramamento de óleo na Costa da California, o SeaWorld desenvolveu um trabalho maravilhoso de resgate dos animais prejudicados no acidente ambiental. Vejam o vídeo sobre o resgate que durou algumas horas para retirar o óleo de um leão marinho.

No Brasil, o SeaWorld já encaminhou por três vezes recursos para o projeto do Tatu Canastra, localizado no Pantanal.

Blue World Project

O SeaWorld projetou o Blue World que promete melhorar os novos habitats das Orcas, em um espaço com quase o dobro do tamanho atual, com cerca de 15 metros de altura. O projeto inicial será em San Diego, depois em Orlando, e por fim, em Santo Antônio, com previsão de dois anos para execução de cada projeto, iniciando o primeiro em 2018. Para ler mais sobre o projeto, acesse aqui.

E para finalizar este tema tão polêmico, a AZA, Association of Zoos and Aquariums informa que o SeaWorld “atende e supera os mais altos padrões de cuidados animais e bem estar em organizações de zoológico.”

Fabiane Teixeira

Brasileira, Mineira de Belo Horizonte, 35 anos, conhece 38 países, é Advogada e Professora de Direito Civil, e nas horas vagas Viajante e Blogueira. Junto com meu Fábio vamos conhecer e te apresentar o mundo!

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